Associativismo - uma receita de bons negócios
Que a união faz a força todo mundo sabe. Ou deveria saber. Ouvimos esse ditado popular muitas vezes e, no caso dos negócios de empresas de pequeno porte, ele representa muito mais do que realização de compras conjuntas ou negociação de melhores preços e prazos com fornecedores. Atuar em cooperativas ou associações pode ser determinante para ampliar a competitividade, a capacitação em gestão, a promoção e o marketing, a inovação tecnológica, o acesso a crédito e a exportação, entre muitos outros benefícios.
Que o digam os 60 empresários participantes do Arranjo Produtivo Local (APL) Movelaria Paulista, da Região Metropolitana de São Paulo. Há quatro anos eles trabalham juntos pela mesma causa: o fortalecimento do mercado e aumento da competitividade. Sem olhar para o vizinho como concorrente, esses empresários perceberam que para sobreviver eles que se unir, trocar experiências, buscar inovações e, acima de tudo, tornarem-se parceiros.
O grupo já investiu R$ 1,5 milhão em cursos específicos, ministrados por consultorias especializadas, visando melhorar a gestão de negócios, seus processos produtivos, capacidade inovadora e fomentação do associativismo. E, com isso, comemoram um aumento no faturamento de 98,4%, além do crescimento nos postos de trabalhos em 137%, entre os anos de 2004 e 2007. Até 2010, planejam investir mais R$ 4,5 milhões para melhorar a competitividade e atingir novos mercados, inclusive o externo.
Denise Silva, proprietária da Marcenaria Cavaleiro, resume a experiência como o grande impulso de sua vida empresarial. "Nós sofríamos muito com a concorrência da região Sul do País, pois sabemos que eles são muito fortes no mercado. Mas hoje, isso não me assusta mais. A partir do trabalho que desenvolvemos com o grupo considero-me em condições de apresentar excelentes produtos e isso me basta, pois não tenho mais a preocupação de saber quem vende mais", comemora.
Central de Negócios
Outra tipo de atuação conjunta é o programa Central de Negócios, desenvolvido pelo Sebrae Nacional há três anos e que pretende encontrar caminhos para que os empreendedores de um mesmo setor se unam e promovam em conjunto atividades capazes de ampliar o poder de barganha em negociações de preço, aumentar a competitividade e reduzir custos.
Para Fábio Ignácio, gestor estadual do programa no Sebrae-SP, as parcerias podem ser encaradas como uma receita de sucesso, pois somente a partir delas é que os empresários conseguem buscar a sustentabilidade para seus negócios. "Com a união em parcerias fica muito mais fácil para uma empresa buscar soluções financeiras, capacitar funcionários, montar centros de distribuição e operação e desenvolver a marca própria", diz.
Ignácio explica ainda que as empresas com visão individualista tendem a acreditar que os resultados chegam em curto prazo. Nesses casos, acabam não se adaptando ao associativismo, pois apostam na "lei do mais forte" ou no pensamento de "quem pode mais, chora menos". Segundo ele, a percepção dos que se associam é mais segura. "As pessoas que optam por fazer parte de projetos como esse sabem que receberão um respaldo do seu companheiro, porque existe um comprometimento mútuo e o empresário que faz o melhor por ele e por todos os envolvidos", finaliza o gestor.
Gastronomia
Exemplos para serem seguidos não faltam. No setor da gastronomia existem 45 empresários de São Paulo que decidiram se unir para buscar novas idéias, soluções e orientações para seus negócios, e juntos criaram a Associação das Pizzarias Unidas.
A história da associação, que começou com a necessidade dos empresários de organizarem melhor seus negócios, hoje conquista resultados importantes, como a compra conjunta de 45 toneladas de mussarela, realizada por um grupo de oito empresas. Carlos Sartal, presidente da Pizzarias Unidas, afirma que a base dessa negociação foi a confiança mútua. "O segredo para o sucesso de uma associação não é ter como primeiro plano o lucro financeiro. O que traz bons resultados é a confiança que cada integrante deposita no outro. O principal objetivo de uma compra conjunta é reduzir custo, mas isso não é possível se você não aposta no grupo de empresários que se envolve no negócio", explica.
O presidente da Associação Pizzarias Unidas conta que, ao longo de seis anos, muitos projetos passaram por eles e a troca de experiências entre os associados foi fundamental.
A consultora de empresas Ana Mentona reforça às micro e pequenas empresas que, para sobreviverem no mercado nos dias atuais, é necessário abandonar a visão individualista. "É preciso que o empresário estimule dentro dele o espírito do associativismo e entenda que os melhores resultados são conseguidos através dele, desde as grandes compras até a conquista de um nome forte no mercado", finaliza.
Serviço:
Mais informações sobre a Central de Negócios pelo telefone 0800 728 02 02 (ligação gratuita). Por esse número é possível também obter informações sobre o curso gratuito do Sebrae-SP de auxílio à formação de cooperativas.
Fonte: SEBRAE SP
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